Como praticar o desenho de edifícios a partir de fotos antes de esboçar ao ar livre
Se você quer esboçar um edifício ao ar livre, mas não tem certeza de por onde começar, use uma foto para ensaiar as decisões mais importantes: onde o edifício se posiciona na página, como suas bordas principais recuam e quais detalhes o tornam reconhecível. Escolha uma referência clara, faça um pequeno estudo estrutural e use esse estudo como uma breve lista de verificação no local. O objetivo é preparar o seu olhar, não memorizar cada tijolo.
Escolha uma foto que ensine uma lição clara
Comece com um edifício simples visto a partir de uma esquina, como uma casa, uma loja ou um pequeno edifício público. A vista de esquina revela duas faces e facilita a visualização da profundidade em comparação com uma fachada frontal direta. Evite uma cena de rua movimentada para a sua primeira prática: árvores, carros, placas e telhados sobrepostos podem ocultar a forma básica do edifício.
Use uma foto em que a linha do telhado, a base do edifício e algumas aberturas estejam visíveis. Uma imagem nítida e iluminada de maneira uniforme é mais fácil de interpretar do que uma com sombras profundas ocultando metade da fachada. Se você tiver várias fotos do mesmo edifício, escolha a que tiver a silhueta mais nítida e menos obstruções. Uma lição de desenho sobre trabalhar a partir de fotografias recomenda de modo semelhante começar com um tema relativamente simples, em formato de caixa, e comparar vistas de ângulos diferentes (Drawing from a Photograph 1).
Antes de desenhar, decida o que deseja praticar: posicionar o edifício inteiro, compreender uma quina em perspectiva ou relacionar janelas e portas com a fachada. Um estudo curto deve ter um objetivo principal. Essa escolha guiará o que você vai medir e o que poderá deixar de fora.
Marque as formas grandes antes dos detalhes
Coloque a foto ao lado do seu caderno de desenho ou imprima-a em um tamanho conveniente. Com um lápis de traço leve, faça a blocagem do edifício como algumas formas grandes: a face frontal, a face lateral, o telhado ou a borda superior e a linha do chão. Adicione apenas as maiores interrupções, como uma varanda saliente, uma torre ou uma árvore ampla que sobreponha o contorno.
Verifique a largura e a altura gerais do edifício antes de desenhar as janelas. Compare essas dimensões como uma proporção: por exemplo, o edifício parece ter cerca do dobro de largura em relação à sua altura, ou algo mais próximo de uma vez e meia? O número pode ser aproximado; seu objetivo é evitar que a primeira silhueta fique achatada ou esticada. Um exercício instrucional de proporção recomenda comparar comprimentos medidos e trabalhar seção por seção para manter as relações entre as partes (Proportion Tips).
Um teste útil é semicerrar os olhos ao olhar para a foto. Se a silhueta do edifício e as maiores massas de luz e sombra ainda forem perceptíveis, sua blocagem contém informações suficientes por enquanto. Se o contorno já estiver confuso, simplifique-o novamente em vez de adicionar detalhes de acabamento.
Encontre o horizonte e as bordas que recuam
Procure bordas que sejam paralelas no edifício, como linhas de telhado, fileiras de janelas, cornijas ou a base de uma parede. Na foto, elas podem convergir em direção a um ou mais pontos de fuga. Prolongue mentalmente duas ou três bordas claras ou faça isso em uma folha de decalque sobreposta. A direção delas servirá como um guia para as linhas correspondentes em seu esboço.
Em uma vista de quina, as duas faces visíveis da parede geralmente recuam em direções diferentes, de modo que cada conjunto de bordas horizontais pode apontar para um ponto de fuga distinto. Em uma vista olhando diretamente para o final de uma rua ou corredor, muitas bordas que recuam podem apontar para um único ponto. Materiais didáticos sobre perspectiva descrevem a perspectiva com um ponto de fuga para vistas axiais e a perspectiva com dois pontos de fuga para objetos ou quinas de edifícios, com o horizonte correspondendo ao nível dos olhos do observador (Perspective I: Geometry, One-Point and Two-Point).
Não force cada linha a se encontrar em um ponto visível na página. Um ponto de fuga pode ficar bem fora da foto ou do desenho. Em vez disso, compare as inclinações: se a borda do telhado na face lateral sobe ligeiramente à medida que recua na referência, faça a borda correspondente subir em uma proporção semelhante. Um edifício fotografado também pode apresentar bordas verticais convergentes quando a câmera foi inclinada para cima ou para baixo. Trata-se de um efeito de perspectiva, e não necessariamente de um erro na construção; o texto de fotografia computacional do MIT explica como a inclinação da câmera faz com que verticais paralelas convirjam na imagem (Perspective Distortion and Its Correction).
Para um primeiro esboço ao ar livre, a lição prática é observar o que está de fato à sua frente. Use a foto para treinar a percepção da convergência, mas não presuma que todas as verticais devam estar perfeitamente aprumadas. Se a referência mostrar uma convergência acentuada, decida se prefere preservá-la ou simplificá-la ao desenhar no local.
Meça as janelas em relação à fachada
Assim que o bloco principal parecer estável, posicione as aberturas comparando suas posições com limites maiores. Faça perguntas como: a janela do térreo está no meio da face frontal? A porta fica mais perto da quina do que da extremidade oposta? Quanto espaço de parede existe entre o topo das janelas e a linha do telhado? Essas comparações costumam ser mais úteis do que tentar adivinhar a posição de cada janela individualmente.
Você pode usar um lápis como um medidor proporcional simples. Segure-o com o braço estendido, feche um olho e marque uma distância com o polegar. Compare a altura do edifício com a sua largura, ou a altura de uma janela com a altura de uma seção de parede. Mantenha o braço estendido e a sua posição de observação constante durante as comparações. A mesma abordagem básica de medição é descrita tanto para fotografias quanto para temas reais no exercício de proporção citado acima.
Transfira relações, não dimensões absolutas. Uma janela pode ficar pequena demais no seu esboço mesmo que esteja no lugar correto; compare sua altura e largura com a parede adjacente e outras aberturas. Comece com alguns retângulos simples, depois divida-os ou refine-os somente após a fachada parecer correta.
Faça um estudo curto e, em seguida, redesenhe de memória
Experimente esta sequência de prática em uma referência. Primeiro, passe dois minutos fazendo uma miniatura (thumbnail) de no máximo alguns centímetros, usando apenas a silhueta e as duas faces visíveis. Em seguida, faça um segundo esboço pequeno com o horizonte, as principais direções de recuo e as maiores aberturas. Por fim, vire a foto de cabeça para baixo e desenhe o edifício uma vez de memória, mantendo apenas sua forma geral e um detalhe característico.
A versão de memória é um exercício de ganho de informação: ela revela quais relações você realmente percebeu e quais detalhes estava apenas copiando sem compreender. Se o edifício ficar irreconhecível, olhe novamente para a referência e identifique a pista estrutural que faltou. Pode ser uma seção central alta, uma inclinação suave de telhado, uma porta descentralizada ou o ângulo entre as duas fachadas. Adicione essa observação às suas anotações para a sessão ao ar livre.
Mantenha a folha de prática útil, em vez de bem-acabada. Anote se o horizonte é alto, baixo ou próximo ao meio; registre se a quina é fechada ou aberta; e identifique uma proporção que você deseja conferir ao ar livre. Isso lhe dá um lembrete conciso em vez de um desenho finalizado para reproduzir.
Aplique o método em um esboço ao ar livre
No local do edifício, escolha uma posição confortável para observar e faça uma nova miniatura. Comece decidindo quanto do edifício cabe na página e onde ficarão o topo e a base. Em seguida, compare o ângulo das bordas que recuam com o seu estudo na foto. A cena real pode não corresponder ao ponto de vista da fotografia, portanto, use o estudo como um guia do que procurar, e não como um gabarito rígido.
Antes de adicionar detalhes, verifique três relações: a proporção entre largura e altura de todo o edifício, o ângulo do telhado ou cornija e o posicionamento de uma abertura principal. Se esses pontos estiverem próximos do correto, adicione apenas os elementos que ajudam a identificar a estrutura. Uma placa, chaminé, toldo ou uma porta marcante podem ter mais importância do que desenhar cada janela com exatidão.
A vista ao ar livre também fornece informações que uma foto pode ocultar: como o edifício encontra o chão, o que se sobrepõe ao seu contorno e como suas laterais se relacionam com as estruturas vizinhas. Observe essas diferenças e deixe seu esboço refletir o ponto de vista que você realmente tem. A foto de prática cumpriu seu papel quando ajuda você a fazer essas observações com mais critério.
Solucione problemas comuns de prática
O esboço parece plano. Verifique se as duas faces visíveis têm direções diferentes e se as bordas superior e inferior compartilham inclinações coerentes. Reforce a linha da quina e compare cada borda em fuga com as demais na mesma face.
As janelas perdem o alinhamento. Restabeleça a direção das bordas horizontais da fachada e, em seguida, posicione as janelas ao longo dessa direção. Compare a posição de cada abertura com a largura da parede, em vez de espaçá-las a olho, uma a uma.
O edifício parece estar caindo para trás. Observe novamente o ângulo da câmera na referência. Se as bordas verticais convergirem, isso pode ser causado pela inclinação da câmera. Decida se prefere reproduzir esse efeito ou manter as verticais mais aprumadas para obter um esboço mais simples. Um desenho feito a partir de fotografia pode preservar a projeção da imagem, enquanto um esboço de observação direta deve responder ao ponto de vista real.
O desenho fica sobrecarregado de detalhes. Volte à silhueta e às divisões maiores. Se o tema continuar reconhecível sem os traços menores, deixe-os de fora. Para a prática ao ar livre, algumas relações precisas costumam ser mais úteis do que uma fachada repleta de linhas incertas.
Uma lista de verificação prática e compacta
Antes de sair, certifique-se de que o seu estudo fotográfico contenha: uma silhueta geral clara, uma anotação sobre o horizonte e as direções de recuo da vista, algumas relações medidas entre fachada e aberturas e um elemento que torne o edifício característico. No local, comece novamente pelas formas grandes e confirme essas relações com o edifício à sua frente.
Essa rotina mantém a prática com fotos conectada à observação. Você ensaia como simplificar, comparar e posicionar o edifício e, em seguida, usa essas mesmas decisões para iniciar um esboço ao ar livre com um primeiro passo bem definido.
